quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Sobre o Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

— E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

Herberto Helder.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Vestibular UFMG 2008

Um dos livros do vestibular UFMG 2008, 26 Poetas Hoje, organizado por Heloísa Buarque de Hollanda, reúne poemas da geração chamada marginal, que, na esteira do Tropicalismo, foi uma tentativa de quebrar o silêncio imposto pela censura da ditadura. Como as editoras não lançavam livros que poderiam (e eram) barrados pela censura, muitos escritores produziam artesanalmente seus livros, muitas vezes mimeografados, (lembra do mimeógrafo?) e os vendiam em portas de cinemas, bares e outras aglomerações. Por isso, a dificuldade em se reunir material para compor uma antologia como essa, o que justifica a relevância da obra para o estudo e a melhor compreensão da literatura brasileira contemporânea.


Em breve, uma análise mais completa. Aguarde!

terça-feira, 10 de julho de 2007

Leminski

POESIA: “words set to music”(Dante
via Pound), “uma viagem ao
desconhecido” (Maiakóvski), “cernes
e medulas” (Ezra Pound), “a fala do
infalável” (Goethe), “linguagem
voltada para a sua própria
materialidade” (Jakobson),
“permanente hesitação entre som e
sentido” (Paul Valery), “fundação do
ser mediante a palavra” (Heidegger),
“a religião original da humanidade”
(Novalis), “as melhores palavras na
melhor ordem” (Coleridge), “emoção
relembrada na tranqüilidade”
(Wordsworth), “ciência e paixão”
(Alfred de Vigny), “se faz com
palavras, não com idéias” (Mallarmé),
“música que se faz com idéias”
(Ricardo Reis/Fernando Pessoa), “um
fingimento deveras” (Fernando
Pessoa), “criticismo of life” (Mathew
Arnold), “palavra-coisa” (Sartre),
“linguagem em estado de pureza
selvagem” (Octavio Paz), “poetry is to
inspire” (Bob Dylan), “design de
linguagem” (Décio Pignatari), “lo
impossible hecho possible” (Garcia
Lorca), “aquilo que se perde na
tradução (Robert Frost), “a liberdade
da minha linguagem” (Paulo
Leminski)...

Livros e mais!

Livros, resenhas, sugestões, bibliofilia
e também música, cinema, festivais, shows...